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Christina Morais, Advogado
Christina Morais
Comentário · há 2 anos
De fato, vivemos num mundo de adultos infantilizados. Eu tenho notado isso há tempos. Certa vez, um primo meu de vinte e poucos anos reclamava dos arroubos de sua irmã, na época com vinte e muitos, dizendo que ela era "a eterna adolescente". "Falou a eterna adolescente", reclamava ele. E sabe? Ele tinha razão. Com muito menos idade que sua irmã mais velha ele já assumira posto de chefia na importantíssima empresa em que era um jovem engenheiro recém formado e sua irmã, às voltas com pequenezas da vida, tirava-lhe por completo a paciência. Isso foi há mais de 10 anos. E de lá pra cá, só temos visto mesmo o aumentar desse fenômeno da infantilidade adulta. As pessoas foram enganadas por uma série de pensamentos que lhes foram incutidos na cabeça por uma mentalidade contemporânea à base do "se você quer, você pode", e coisas assim. Disseram-lhes que fazer uma faculdade lhes garantiria uma vida melhor. E agora, elas exigem essa tal de vida melhor que foi prometida. Ninguém explicou que não há vagas no mercado para mais enfermeiros de que já temos. E os cursos de enfermagem pululam de alunos que vão amargar longos cinco anos de suas vidas para ganhar 50 reais a mais que seus pares egressos do curso de auxiliar. Porque é isso que os hospitais estão fazendo para driblar o "problema": o valor a mais do profissional de titulação superior é irrisório. De auxiliares a enfermeiros, passando pelos técnicos, é claro, todos ganham na minha região de um salário mínimo comercial a algo que mal se aproxima a um e meio. As pessoas estão descontentes e birrentas, pois lhes foi ensinado que elas podem tudo nos bancos da escola e a vida agora está lhes dando um tapa na cara para o qual não estavam preparados. Não lhes foi ensinado que é preciso trabalhar, batalhar, aceitar seu destino (sim, isso também). Meu pai estudou contabilidade segundo ele, porque foi o curso que ele teve a chance de fazer e de crescer profissionalmente pois como auxiliar de escritório, já estava no meio e não ia se arvorar em nenhuma aventura para garantir seu avanço. Isso é maturidade, é ter pé no chão. E foi um excelente profissional, lutando com as armas que tinha. Hoje em dia não, todos podem tudo. Ninguém pensa sobre qual é a sua vocação natural, qual é a sua oportunidade real no mercado de trabalho, pra onde aponta a bússola de seu destino a partir do ponto em que estão, enfim, não põe nada na balança. Metem na cabeça que querem "ser tal coisa" e se deixam levar, na esperança infantil de que isso funcione. Não funciona. E o resultado é mesmo uma sociedade infestada de pessoas amarguradas, decepcionadas, inconformadas, gerando mesmo um espírito de beligerância como nunca antes vimos.
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